O desafio para estas primeiras décadas do século XXI para agricultura é grande. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), quase um bilhão de pessoas no mundo sofrem com fome e desnutrição. A demanda mundial de alimentos cresceu 25% desde o ano 2000, a população mundial crescerá mais 1,7 bilhão até 2030 e até 2050, seremos 9 bilhões de habitantes. 

Nenhuma atividade humana, nem mesmo a medicina, tem tanta importância para a saúde quanto a agricultura.

Pierre Delbet – Academia Francesa de Medicina
mapear fazenda com drones
ONU – População mundial até 2100

Ao longo ao longo do século XIX e XX  a teoria de Malthus, que alertava que a população crescia em progressão geométrica, enquanto que a produção de alimentos crescia em progressão aritmética e isso levaria à escassez de alimentos em grandes proporções, não se confirmou. Graças ao progresso tecnológico a produção de alimentos cresceu mais do que a população, a qualidade de vida melhorou, as pessoas passaram a viver mais tempo e a se alimentar mais. Mesmo assim, o fantasma Malthusiano assombra. Desta maneira, teremos que produzir muito mais sobre a mesma área e no mundo, só existem ao redor de 5 a 10% de terras com qualidade suficiente para produção agrícola.

 

O Brasil tem se mostrado competente no que diz respeito ao aumento de produtividade sem o aumento da área agricultável. Estudos feitos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostram que o Brasil é um dos países em que a produtividade mais cresce. De 2006 a 2010, o rendimento da agropecuária aumentou 4,28% ao ano no Brasil, seguido pela China (3,25%), Chile (3,08%), Japão (2,86%), Argentina (2,7%), Indonésia (2,62%), Estados Unidos (1,93%) e México (1,46%). Desta maneira, o Brasil deixou de ser país importador de alimentos, com enormes crises de abastecimento, e se transformou em um expressivo exportador.

O Agronegócio vem ampliando sua contribuição no PIB do Brasil
O Agronegócio vem ampliando sua contribuição no PIB do Brasil

Agricultura de Precisão com Drones Histórico

Liderando as inovações no campo destaca-se a agricultura de precisão. Segundo a Embrapa, agricultura de precisão (AP) “trata-se de um sistema de manejo integrado de informações e tecnologias, fundamentado nos conceitos de que as variabilidades de espaço e tempo influenciam nos rendimentos dos cultivos”. A AP baseia-se na premissa da gestão da variabilidade espacial das lavouras e visa o gerenciamento mais detalhado do sistema de produção agrícola como um todo através do conhecimento e otimização dos processos envolvidos na produção, aplicação de insumos e mapeamentos diversos. De maneira simplificada pode-se dizer que a AP considera que as lavouras não são uniformes. Ou seja, considera que cada pedaço da propriedade é diferente seja no solo, no relevo, na temperatura, nas plantas, entre outros. Assim, são necessárias ferramentas e um sistema de gestão que busque mapear, analisar e otimizar todos os recursos envolvidos para  aproveitar melhor cada porção da área.

 

A partir do fim da década de 80 e início dos anos 90, com o desenvolvimento de microcomputadores, sensores e softwares, a agricultura de precisão tornou-se viável para os produtores. Desde então um conjunto de ferramentas e tecnologias passaram a fazer parte do cotidiano do produtor contribuindo para a diminuição de perdas na agricultura. Utilizando estas ferramentas é possível obter dados da propriedade e da produção para análises mais precisas.

Receptores GNSS impulsionaram a Agricultura de Precisão com Drones
Receptores GNSS impulsionaram a Agricultura de Precisão com Drones

No primeiro momento, a Agricultura de Precisão chegou ao campo com as máquinas agrícolas, como colheitadeiras e semeadeiras, embarcando-se a elas receptores GNSS (Global Navigation Satellite System) e computadores de bordo. Tais maquinários ofereciam as soluções para se gerar mapas de produtividade das lavouras de grãos. Embora fosse um grande avanço, tais mapas não eram convertidos em mapas de recomendações para que os agricultores pudessem utilizá-los, nem havia máquinas no mercado para a aplicação de fertilizantes em taxas variáveis. Com o surgimento das primeiras máquinas aplicadoras para taxas variáveis de granulados e pós com base em amostragem, surgiram as primeiras empresas de consultoria e de serviços de AP.


Assim, do anos 2000 para cá, vimos surgir ou serem adotadas diferentes tecnologias para a AP. Tecnologias como GPS (Global Position System – Sistema de Posicionamento Global), softwares GIS (Geographic Information System – Sistema de Informação Geográfica),  técnicas de taxas variáveis e sensores de diferentes tipos, permitiram o surgimento de ferramentas cada vez mais precisas na aquisição e interpretação de informações georreferenciadas sobre as áreas de cultivo agrícola, visando definir estratégias de manejo mais eficientes, em especial, o uso racional de insumos.

Agricultura de Precisão no Brasil

Em 2013 empresa Kleffmann Group realizou uma pesquisa com 992 produtores de milho, soja e trigo em todo Brasil. Foi perguntado aos produtores sobre quais eram as razões pessoais para o uso de técnicas e tecnologias de AP. Os dados mostram que em sua grande maioria as respostas foram ganhos de produtividade ou redução de custos.

Agricultura de Precisão - Pesquisa: Kleffmann Group
Agricultura de Precisão – Pesquisa: Kleffmann Group

Paradoxalmente, uma pesquisa realizada com 2.090 agricultores em maio de 2017 pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) mostra que a maior parte dos produtores (67%) ainda não adota técnicas ou tecnologias de agricultura de precisão.

Agricultura de Precisão - Pesquisa: Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA)
Agricultura de Precisão – Pesquisa: Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA)

Por outro lado, a pesquisa da Kleffmann Group mostra que a maioria dos produtores tem a intenção de investir em novas tecnologias, conforme mostram os dados a seguir.

A maioria dos produtores tem a intenção em investir em AP
A maioria dos produtores tem a intenção em investir em AP

O cruzamento destes dados revela que a maioria dos produtores conhece os benefícios da adoção das técnicas e tecnologias relacionadas à agricultura de precisão e tem a intenção de adotar alguma tecnologia. Destacam-se entre as principais tecnologias e usos: piloto automático, semeadora/adubadora a taxa variável, distribuidores de fertilizantes, corretivos e defensivos agrícolas a taxa variável, colhedora com sensor de colheita, barra de luz e sensores de solo.

Drones na Agricultura de Precisão

Recentemente a agricultura de precisão ganhou um avanço tecnológico que tem despertado a atenção. A entrada dos Drones no mercado tem causado uma revolução na Agricultura. Inicialmente a tecnologia dos Drones era restrita a grandes grupos. Entretanto, a popularização dos Drones, tanto para uso recreativo quanto para uso profissional, tem permitido a adoção desta tecnologia no campo e começa a ser utilizada pelos proprietários ou gestores destas propriedades para melhorar as tomadas de decisões estratégicas no manejo da produção. Os produtores têm se convencido das contribuições que as imagens aéreas oferecem no gerenciamento das propriedades rurais e já planejam a aquisição dos Drones como máquinas agrícolas.

 

De acordo com a PricewaterhouseCoopers (PWC), estima-se que o mercado de Drones atinja o valor de cerca de 127 bilhões de dólares até 2020, impulsionado principalmente pelo agronegócio. Uma pesquisa realizada pela mesma consultoria PWC destaca que a agropecuária já é responsável por 25% do faturamento global da indústria de drones.

Mercado de Drones deve atingir  U$ 127 bilhões até 2020 - PWC
Mercado de Drones deve atingir U$ 127 bilhões até 2020 – PWC

O mercado de Drones no Brasil

No Brasil, o mercado de Drones em geral tem crescido. Estimativas indicam que o mercado tenha faturado cerca de 300 milhões de reais no ano de 2017. O número de Drones registrados no Brasil mais que triplicou em menos de um ano e a perspectiva é que este valor continue aumentando ao longo dos próximos anos.

 

Segundo o site da ANAC já são mais de 46.000 equipamentos registrados em todo país. Destes, cerca de 17.352 estão registrados como Drones de uso profissional. O site ainda acusa 2.509 pessoas jurídicas cadastradas como prestadores de serviço no Brasil. As informações do site da ANAC não deixam claro quais destes são prestadores de serviço relacionados ao agronegócio, mas não deixam dúvida sobre o crescimento exponencial do mercado de um modo geral.

 

No início de 2017 os organizadores da Feira DroneShow mapearam 700 empresas do setor. A pesquisa questionou a localização geográfica, o modelo de negócios e área de atuação. Cerca de 62% das empresas responderam que sua área de atuação está relacionada com a área da agricultura. A maior parte delas localizada em São Paulo (cerca de 36%).

Empresas do mercado de Drones no Brasil - Pesquisa DroneShow
Empresas do mercado de Drones no Brasil – Pesquisa DroneShow

Drones e Agricultura de Precisão Considerações Finais

Segundo a EMBRAPA e com dados confirmados pela NASA, o Brasil utiliza 7,6% de seu território com lavouras, somando 63.994.479 hectares. A quantidade de hectares com pastagens (nativas ou implantadas) gira em torno de 149 milhões de hectares. Levando em conta a soma de ambos, chegamos perto de 213 milhões de hectares destinados à agropecuária. Ou seja, o mercado de prestação de serviço de mapeamento aéreo com drones é gigantesco e tem muitos desafios pela frente.

 

Seria irresponsável tentar estimar com base em uma multiplicação simples o valor cobrado pelo serviço de mapeamento aéreo com Drones por hectare pela quantidade de hectares destinados no país para a agropecuária. A precificação deste tipo de serviço é complexa e deve levar em consideração fatores como: custos fixos, custos variáveis, capital inicial, impostos, depreciação, risco, margem de lucro, entre outros. Acesse nossa materia completa em nosso blog sobre Precificação de Projetos de Mapeamento Aéreo com Drones na Agricultura. 

 

De qualquer forma os dados trazem à tona que estamos diante de um mercado promissor e vital para a balança econômica do país. A FAO estima que o volume do mercado mundial de monitoramento e análise agrícola esteja em US$ 25 bilhões.

 

Apesar de ser um mercado crescente é importante ressaltar que existem habilidades e competências específicas para quem deseja desbravar o mapeamento com drones na agricultura e pecuária. 

 

Não restam dúvidas de que estamos diante de uma disrupção no agronegócio. Muitos têm chamado este momento de Agricultura 4.0. Cada vez mais tecnologias relacionadas à agricultura de precisão, drones e robôs, AI – inteligência artificial, big data & analytics, IoT – internet das coisas e machine learning estarão presentes no cotidiano dos produtores, tornando-os mais competitivos.

 

Neste contexto, os Drones vêm se tornando ferramentas indispensáveis ao produtores, auxiliando na obtenção de informações de qualidade, aprimorando o mapeamento em suas diversas aplicações, resultando na diminuição dos custos e impactos ambientais negativos, consequentemente, aumentando o retorno econômico, social e ambiental.

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Drones na Agricultura e Pecuária

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