Capim-amargoso – provavelmente todo produtor em todas as regiões do Brasil já ouviu falar ou convive com essa planta daninha, seja em cultivos anuais, seja em perenes. Essa infestante já é um dos principais problemas da agricultura brasileira e talvez se torne o principal.

 

Para auxiliar o agricultor a vencer esse inimigo da produção, o artigo vai informar sobre a complexidade do problema, o controle correto e, assim, proporcionar o eficiente manejo da planta daninha.

 

O controle desse inimigo da agricultura é difícil e exige a adoção de diferentes estratégias, sejam químicas ou não. Portanto, há a necessidade de utilizarmos estratégias de controle em todas as fases, quer na pré-emergência, com a utilização de produtos residuais, quer na pós-emergência, com produtos específicos para isso.

Em algumas situações, pode chegar a uma perda de 60% da lavoura ou um pouco mais, porque o amargoso compete diretamente com a cultura por luz, água e nutrientes do solo

 
Fernando Adegas,  Pesquisador da Embrapa Soja

Espécie problemática atual

O Brasil, segundo pesquisadores, é o país das Américas em que ocorre o maior número de plantas do gênero Digitaria. São 38 espécies, das quais 26 nativas e 12 exóticas, e em específico o capim-amargoso (Digitaria insularis – Poaceae) é uma gramínea, perene, rizomatosa, e que forma touceiras.

 

Cada planta produz até 60 mil sementes por ano, as quais são facilmente propagadas pelo vento. Possui metabolismo fotossintético do tipo C4 (alta eficiência na produção de biomassa em condições de temperaturas elevadas), pode produzir aleloquímicos (que gera alelopatia), abriga pragas (como os percevejos), doenças (como o cancro cítrico), sendo agressiva na competição e, assim, interferindo na produtividade agrícola das culturas.

 

Segundo pesquisas conduzidas pela Embrapa Soja e Unesp de Jaboticabal, o rendimento médio na soja e no milho pode ser afetado em até 44% e 54%, respectivamente (em densidades de 04 a 08 plantas/m2). Assumindo este convívio com plantas de capim-amargoso, o produtor pode perder até metade da sua produção devido a essa infestante.

 

Tais resultados foram confirmados em pesquisas conduzidas a campo na região oeste do Estado do Paraná, nos anos de 2015, 2016 e 2017, pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e Supra Pesquisa (Grupo de Pesquisa em Sistemas Sustentáveis de Produção Agrícola).

Alta infestação e mato interferência de capim-amargoso em lavoura de soja em Maripá (PR) Créditos Leandro Paiola Albrecht
Alta infestação e mato interferência de capim-amargoso em lavoura de soja em Maripá (PR)
Créditos Leandro Paiola Albrecht

Problema grave

A dificuldade de controle do capim-amargoso com herbicidas é relatada há muito tempo. O primeiro relato da suscetibilidade diferencial ao herbicida glyphosate entre plantas desta espécie ocorreu em 2006, no Paraguai.

 

No Brasil, Fernando Adegas e Dionísio Gazziero da Embrapa Soja identificaram plantas resistentes no oeste do Paraná, no ano de 2008. Nos últimos anos, em uma amostragem de 2.593 populações do capim-amargoso no Brasil, 57% apresentaram-se resistentes ao herbicida glyphosate.

 

Os casos mais preocupantes encontram-se no Estado do Paraná, onde mais de 80% das populações amostradas confirmaram-se resistentes, indicando a urgência de estratégias de manejo dessa espécie para o Estado (segundo afirmam Ramiro F. Lopez Ovejero e colaboradores de uma pesquisa publicada em 2017 pela Weed Science Society of America).

 

No entanto, o problema não está somente no Paraná, e infelizmente, hoje, segundo estudos recentes, a área com problema de capim-amargoso é maior que oito milhões de hectares. Ou seja, a área com problema de capim-amargoso já é aproximadamente metade daquela cultivada com milho e será em breve um terço da área de soja. Em outras palavras, o problema é grande e só tende a aumentar.

Capim-amargoso perenizado em área de dessecação e de complexo controle Créditos Leandro Paiola Albrecht
Capim-amargoso perenizado em área de dessecação e de complexo controle
Créditos Leandro Paiola Albrecht

A resistência ao glifosato fez essa planta se espalhar de forma rápida. O principal é não deixar entrar na lavoura, pois o combate exige muito trabalho e pode quadruplicar o custo do controle normal com daninhas.

 

Fernando Adegas, Pesquisador da Embrapa Soja

Por esse motivo, ressalta-se que a entressafra é uma das principais janelas de oportunidade para se realizar o manejo correto desta invasora. O mapeamento da área com Drones ajuda a localizar e quantificar daninhas de difícil controle, como o capim amargoso, reduzindo a aplicação de herbicidas aos locais onde realmente são necessários, trazendo redução de custos, tempo e mão-de-obra.

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