Quando se pensa em agricultura na região Centro-Oeste, muitas pessoas fazem uma associação imediata com a produção de soja. E não é sem motivo: a região é a maior produtora nacional, e compete, inclusive, em mercados internacionais. No Centro-Oeste, a soja é plantada em grande parte dos Estados em sucessão ao milho safrinha. Entretanto, as operações agrícolas, aliada ao sistema de cultivo, proporcionaram condições adequadas para o desenvolvimento dos nematóides nos solos. Assim, os nematoides vêm crescendo em importância no sistema produtivo e ganhando espaço no cenário brasileiro como um dos principais problemas fitossanitários da sojicultura no Brasil, podendo inclusive inviabilizar algumas áreas de cultivo de soja.

É preciso fazer controle eficiente de plantas invasoras (pré e pós emergência). Fazer manejo de plantas invasoras na cultura de cobertura de solo (entressafra). É importante que a semeadura da soja seja feita em palhada completamente dessecada. A safrinha de milho ou de outra cultura que não propicie a multiplicação do nematoide é muito importante, devemos tirar o alimento do nematoide. Sem comida ele não sobrevive.

 
Luciany Favoreto, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG)

Nos últimos anos, os nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus spp.) têm causado danos elevados e crescentes associados a perdas econômicas significativas, especialmente no Cerrado e nas culturas da soja e do milho.

 

As causas desse aumento da importância econômica ainda não estão bem esclarecidas, mas parecem estar relacionadas com a adoção de sistemas de produção com uma ou mais das seguintes características associadas: ausência de rotação de culturas; rotação ou sucessão com culturas hospedeiras do nematoide, como soja e milho; sistema plantio direto ou cultivo mínimo, mantendo o solo com umidade mais elevada e adequada para os nematoides; uso mais frequente de solos com textura arenosa ou média; compactação ou baixa fertilidade do solo; e ocorrência simultânea de outros patógenos de solo.

Amarelão: a identificação mais comum é 
pela formação de reboleiras nas lavouras.
Fonte: Globo Rural
Amarelão: a identificação mais comum é pela formação de reboleiras nas lavouras.
Fonte: Globo Rural

Habitantes naturais do solo, algumas espécies de nematoides podem causar danos de diferentes magnitudes. A sensibilidade da cultura, a densidade populacional no solo e o clima favorável para sua reprodução representam uma combinação perigosa que pode resultar em altos prejuízos nas lavouras.

 

Os nematoides causam prejuízos de R$ 35 bilhões ao ano para o agronegócio brasileiro, segundo informações da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN). Apenas na produção de soja, as perdas são estimadas em R$ 16,2 bilhões, de acordo com a entidade.

 

Diferentemente de pragas, como a Helicoverpa, e doenças, como a ferrugem asiática, que podem ser facilmente identificadas pelos produtores, os nematoides são invisíveis a olho nu e vivem no solo se alimentando de nutrientes nas raízes. A incidência do parasita provoca o crescimento deficiente da planta, o que pode resultar em perda da produção.

Raiz de soja com sintoma causado por nematoide
Fonte: Embrapa
Raiz de soja com sintoma causado por nematoide
Fonte: Embrapa

Segundo informações da Embrapa, os nematoides são capazes de viver em qualquer ambiente que tenha água disponível e são extremamente sensíveis a estresse hídrico e temperaturas extremas. Apenas algumas espécies conseguem resistir à falta de água por muito tempo.

 

Os sistemas tradicionais de manejo das lavouras tratam as áreas de cultivo de forma homogênea tomando como referência, nos tratos culturais, as condições médias dos fatores que afetam a produtividade para a programação das ações corretivas.

 

O recente desenvolvimento tecnológico, notadamente de máquinas, implementos e da informática, bem como as novas tecnologias como o uso de drones, trouxe a possibilidade de adoção de práticas de manejo em sítios específicos ou da agricultura de precisão, com maior segurança na tomada de decisões, com o uso mais racional de insumos e com possibilidades reais de ganhos econômicos e ambientais.

 

O objetivo do trabalho de monitoramento com os Drones que tem maiores capacidades de investigação e prognóstico nas áreas, é acelerar o processo de diagnóstico do dano, com o intuito de evitar o aumento do problema, além de antecipar o planejamento dos produtores para a safra seguinte, de modo que ele possa ajustar e escolher as melhores alternativas ou ferramentas que se encaixem na sua rotina para o manejo deste patógeno em suas áreas. O período ideal para coleta de amostras de análises nematológicas para identificação de gênero, espécie e raça compreende entre o florescimento até antes da colheita.

 

Os sintomas mais comuns no campo são as reboleiras e se assemelham a outros problemas, como deficiência nutricional, mancha de calcário, compactação do solo e encharcamento, podendo passar despercebidos aos olhos dos produtores, culminando em agravamento de suas áreas. Desta forma, o monitoramento com drones é de grande valia para que o reconhecimento do problema seja acelerado, elevando as chances de contenção dos prejuízos das culturas atingidas.

 

Os dois principais índices de vegetação aplicados sobre as imagens coletadas com drones para localização de reboleiras com nematoides são o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) e o NDRE (Índice do Vermelho Limítrofe por Diferença Normalizada). Estes índices são responsáveis por detectar o vigor da lavoura e atividade fotossintética. A partir da análise do espectro de energia luminosa refletida pelas plantas, podemos identificar os locais de interesse para averiguação em campo.

Identificação de reboleiras com o uso de índices de vegetação.
Fonte: Micasense (com adaptações)
Identificação de reboleiras com o uso de índices de vegetação.
Fonte: Micasense (com adaptações)

Nematoides são pragas de baixa mobilidade no campo e, portanto, demoram safras para mostrarem os prejuízos econômicos, apresentando um significado epidemiológico do tipo tardio. Assim, é comum as reboleiras dos nematoides permanecerem localizadas na mesma posição na área entre as safras, mostrando que existe uma prevalência de suas ocorrências no campo. Dessa forma, nada seria mais lógico para o manejo e/ou controle dos nematoides do que o uso de táticas localizadas, ou seja, a adoção de medidas baseadas na filosofia da agricultura de precisão onde os recursos (insumos) sejam colocados apenas onde sejam necessários, com ganhos econômicos e ambientais considerados.

 

Com essa finalidade, estão disponíveis hoje em dia metodologias e tecnologias que permitem a aplicação localizada de insumos, notadamente com foco no sulco de plantio ou adubação, de culturas anuais como a soja, milho e algodão. A estratégia consiste em se levantar evidências que comprovem a localização dos nematoides em áreas cultivadas e que as áreas infestadas mantenham-se no mesmo ponto ao longo dos ciclos de cultivo e dos manejos empregados pelos agricultores. Para isso são realizadas visitas no campo com o ataque de nematoides, coleta de amostras localizadas para a comprovação do problema e a demarcação das reboleiras presentes, utilizando-se um dispositivo receptor GPS, com posterior análise e confecção de mapas de aplicação nas áreas demarcadas no talhão.

 

Existem no mercado aplicadores que são acoplados às semeadoras e que realizam a aplicação de produtos no sulco de plantio e/ou adubação e são equipados com controladores eletrônicos, computador de bordo e receptor GPS. Com essa tecnologia é possível realizar a aplicação de defensivos, químico ou biológico, de forma localizada e automática nas reboleiras, ou seja, sem a necessidade de operação do equipamento, uma vez que o mapa está programado em seu computador de bordo. Assim o agricultor realiza normalmente a semeadura da cultura e o equipamento deposita automaticamente a calda nas áreas demarcadas.

 

Ainda, após a aplicação, o equipamento fornece o mapa da aplicação, que é uma informação muito importante, para as análises econômicas e ambientais do procedimento, a avaliação da qualidade do trabalho realizado, bem como dos resultados obtidos com o tratamento, pois o agricultor sabe exatamente onde está o problema e onde o tratamento foi realizado. Assim, ele pode retornar ao local de aplicação, avaliar a eficiência e realizar ajustes para os próximos tratamentos se forem necessários.

 

Tudo isso ficaria prejudicado se fosse feita a aplicação generalizada na área total. Com esta metodologia e tecnologia tem-se conseguido reduções de até 80% do defensivo aplicado. Também, vários trabalhos no exterior vêm confirmando que a utilização da técnica de aplicação de defensivos em taxa variável ou localizada reduz drasticamente a quantidade do produto aplicado, mantendo o controle em níveis adequados.

Drones podem ser utilizados para localizar as reboleiras mais rapidamente e gerar mapas de aplicação de defensivos em taxa variável.
Drones podem ser utilizados para localizar as reboleiras mais
rapidamente e gerar mapas de aplicação de defensivos em taxa variável.

Como visto, as tecnologias para o manejo localizado de nematoides já estão disponíveis aos agricultores, bem como a ciência de como se fazer isso. O desafio que se coloca nesse momento é: Como realizar essa operação em grandes áreas? Felizmente novas tecnologias estão surgindo para a agricultura brasileira e os primeiros trabalhos já se encontram em andamento no Brasil e no exterior por empresas especializadas.

 

No caso do equipamento para a aplicação localizada a evolução já está em andamento para maiores capacidades operacionais, vendas embarcadas nas semeadoras e sistemas inteligentes para a aplicação de vários produtos na mesma operação, com a injeção direta dos produtos na ponta de aplicação (tecnologia “multicanal”). Outra tecnologia que já se encontra disponível para os agricultores é a do sensoriamento remoto de lavouras com o uso de drones. Além desses e já disponíveis, podem ser associadas outras tecnologias como imagens de satélites para investigação e prognóstico, que apesar de menor resolução espacial em relação aos drones, podem auxiliar na análise multitemporal ao longo das safras.

 

Na região de incidência de nematóides (validada por análise de solo), o produtor poderá adotar manejos diferenciados para controle de população desta praga na próxima safra, como rotação de cultura, plantio de cultivares resistentes e tratamento de sementes. O método mais eficiente de controle, se houver disponibilidade de maquinário automatizado, são nematicidas aplicáveis diretamente no sulco durante o plantio, aplicando o defensivo somente na área afetada, reduzindo o custo e aumentando eficiência de aplicação.

 

“Vale destacar que outras estratégias de manejo podem ser utilizadas desde que equipamentos específicos sejam desenvolvidos ou manejados para esse objetivo. Como exemplo, o desenvolvimento de semeadoras que realizam a semeadura de diferentes cultivares ou espécies de plantas. Assim, desde que respeitado os ciclos equivalentes das cultivares/culturas, pode-se realizar a semeadura de forma localizada nas reboleiras de um genótipo resistente ou mais tolerante ao nematoide chave, ou mesmo de um adubo verde ou cultura de cobertura. Outro exemplo, numa opção mais direta, seria simplesmente a economia de sementes, fertilizantes e outros insumos nas reboleiras onde sabidamente não se irá produzir.”

 

Segundo a Embrapa, o mapeamento da variabilidade espacial da população de nematoides requer uma distância entre os pontos de amostragem de no máximo 50 m, tornando necessária a coleta de pelo menos 4 amostras compostas de raízes e solo por hectare. Esse requisito contrasta com o que vem sendo utilizado em condição de campo, onde mapas de variabilidade espacial da densidade populacional de diferentes espécies de nematoides têm sido elaborados a partir de amostragens seguindo grades amostrais de até 5 ha.

 

Visando reduzir os custos relacionados à amostragem e à análise de raízes e solo para determinação da população de nematoides, uma opção poderia ser a realização conjunta dessa avaliação com métodos de quantificação dos danos dos nematoides, como o mapeamento dos sintomas por meio de fotografias aéreas.

 

Estudos da Embrapa concluíram que a produtividade da soja apresenta alta correlação com a população de nematoides nas raízes. A cada 82 indivíduos por g de raiz, ocorre a redução de 1 saca ha-1 na produtividade da soja. A perda média estimada em função do ataque de Pratylenchus brachyurus é de 21% na produtividade potencial de soja na área de estudo, ou seja, a população de nematoides na área de estudo foi uma variável determinante para a produtividade da soja. Assim, a aplicação localizada de estratégias de controle de P. brachyurus apresenta grande potencial na redução dos danos ocasionados pelo nematoide à soja.

 

“Por fim, esta estratégia de manejo se aplica a qualquer praga que ocorra de forma localizada no campo. Neste sentido e dentre os problemas fitossanitários das culturas, as plantas daninhas são as que apresentam mais esta característica e, portanto, oferecem as maiores possibilidades de manejos localizados, seguidas dos nematoides, dos insetos e, por último, das doenças.” Prof. Dr. Carlos Eduardo de Mendonça Otoboni, Eng. Agr. Nematologista – Precisão em Proteção de plantas Fatec Shunji Nishimura Pompeia/SP .

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Drones na Agricultura.

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